17 maio 2016

Dilma e Cunha afastados: vamos dizer não às mordomias indevidas


Nossos políticos fazem coisas de quinto mundo hiper-ultra atrasado. Barbáries indescritíveis. Dilma e Cunha, mesmo afastados das suas funções públicas, continuam habitando seus palacetes sultânicos, salários de mais de R$ 30 mil por mês, segurança pessoal, assistência saúde, avião, carro oficial e uma equipe a serviço deles (gabinete pessoal).

É preciso separar o joio do trigo. Num país ultraviolento como o nosso, justificam-se (no afastamento) medidas de segurança pessoal. Palacetes, gabinete pessoal, avião presidencial etc. Jamais. É coisa de cleptocracia nababesca.
Os exageros (com o dinheiro público, lógico) viram a gestão pública de ponta-cabeça. Foi afastado do cargo, vai para casa (cuidar da vida, como faz a população). Só se preserva a segurança individual (em razão da selvageria possível contra os afastados).
O Brasil é hoje exemplo mundial de país política e economicamente falido (diz FMI). Não por acaso. Carece de uma democracia com cabeças de ponta. Quanto mais ignorância, menos indignação geram os privilégios luxuriosos assim como as negociatas das oligarquias dominantes.
Absurdos e excessos claramente estapafúrdios como os assinalados (como continuar com os palacetes) só existem em países vergonhosamente desiguais, sistemicamente corruptos e institucionalmente extrativistas (onde as oligarquias dominantes saqueiam o Estado e o povo, em regra, impunemente).
  • Foyers anti-escatológicos: seguem cenas impróprias para portadores do complexo de vira-lata (Nelson Rodrigues), da síndrome de Napoleão e da megalomania do puer aeternus (criança eterna). Numa reunião na sede do governo sueco (Rosenbad) uma xícara de café não foi colocada na lavadora de louças. Era do primeiro-ministro John Fredrik Reinfeldt (governou a Suécia de 2006 a 2014). O funcionário alertou, o primeiro-ministro pediu licença, se levantou a colocou a xícara na lavadora. A cena foi exibida para milhões de telespectadores, que assistiam à abertura de um festival de música (Eurovision). Nos países civilizados tudo é diferente. Os políticos não têm mordomias. Não temos que nos comparar nunca à Escandinávia. Basta copiar seus comportamentos, fazendo uso do nosso (discutido) “livre arbítrio”.
Nos países civilizados (Escandinávia é um dos exemplos – ver Claudia Wallin, Um país sem excelências e mordomias) nem sequer os políticos em exercício possuem a décima parte das mordomias dos políticos brasileiros. Imaginem os afastados!
Para aplastar nosso complexo de vira-lata (Nelson Rodrigues), segue a advertência: não vamos nos comparar à Escandinávia, basta copiar. Igualdade, justiça e solidariedade social “versus” extrema desigualdade, injustiça e privilégios e mordomias. Mudar comportamentos está em nossas mãos e na nossa ética.
Que as pessoas de boa cabeça lutem pelo fim da esquizofrenia nas relações entre o povo e o poder, ou seja, basta nos tratarmos como cidadãos normais. Só precisamos mudar nossos comportamentos (não vamos nos comparar, é só copiar o que é correto).
  • Foyers anti-escatológicos: “Suécia: um país sem excelências. Uma sociedade na qual o mandato político não confere um título de nobreza instantânea ao cidadão eleito, nem dá direito às regalias e aos rapapés normalmente dispensados, no Brasil e em outras geografias, as exóticas Cortes de plebeus sustentadas pelos plebeus que estão mais embaixo. Um lugar onde madames não vão às compras com carros oficiais do Parlamento [ou nas ruas de Paris], pagas com o dinheiro dos impostos dos próprios motoristas que carregam suas sacolas. Porque a deputados suecos não se concedem carros oficiais, nem motoristas, secretárias particulares, viagens de jatinho, hospedagem em hotéis de luxo ou verbas caudalosas. Nem luxos, nem privilégios” (Claudia Wallin, Um país sem excelências e mordomias).


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