"gorduchinhas feitas de couro cru e costurada à fios de algodão no remoto passado" |
Juvenil Coelho |
Mera
semelhança à lua cheia, xodó eterno dos apaixonados enamorados, mesmo assim desprovida
da luz própria, a bola também reluz radiante e atraente, quase comparada ao sol
no firmamento. Esta é a esférica e roliça bola que encanta multidões nas grandes
áreas dos estádios e até nas quadras poliesportivas, trazendo alegria às
massas, até mesmo às crianças em sua idade inicial já se movem com seu belo trejeito
rotativo. Das mais quietas às mais audazes ou irrequietas correm a trás dos
ligeiros movimentos, não importando seu tamanho, muito menos o artefato em que
foi produzida. Embora sua invenção seja milenar, advinda talvez dos fenícios ou
dos bárbaros, ou até mesmo na etiópia, só se sabe ao certo é que foram os
britânicos que deram propulsão e notoriedade com a invenção do futebol, arte
patenteada por Jules Rimet. Lá, a bola foi sacramentada com esmero, até os dias
de hoje, estendendo-se nos ensaios de outros esportes coletivos.
De lá prá cá, se deu a enorme difusão no mundo da
bola atingindo o planeta, das gorduchinhas feitas de couro cru e costurada à
fios de algodão no remoto passado. Ela ganhou forma perfeita em seu design e na
essência do material que lhe é hoje reproduzida, parecendo mais uma pupila de
olhos, resplandecente, presente em muitas modalidades esportivas. Ressalta-se,
entretanto, que se não fosse também o extraordinário zelo e estilo com que os
mais habilidosos atletas lhes dão em termos de toque e jogadas malabarísticas,
certamente que a magia desta bola seria bem menor, e assim não despertaria
tanto interesse aos olhos do povão. Em síntese, esta mesma seria comparada a um
bozó, num jogo de dados ou gamão. Assim possamos afirmar que foram os
autênticos boleiros que deram vida e notoriedade, isto nos restringindo somente
aos imortais atletas brasileiros e tão somente ao futebol, sem querer falar de
outras modalidades, são incontáveis os perfeccionistas jogadores, que deixaram
seus nomes marcados no finíssimo trato com ela.
Se é que não podemos explicar com simples palavras,
os contornos que a bola produz em transfusão, transformando-a em estrela magna,
da constelação esportiva, haveremos ao menos de lembrarmos das bicicletas no
ar, de Leônidas e Dida, a folha seca de Didi, os passes milimétricos do mestre
Zizinho e de longo alcance do canhoto Gerson. Se quer mais, o elástico drible
de Rivelino. Inumeráveis são eles com jogadas desconcertantes como as do rei
Pelé e também alguns dos mais novos, como: Ronaldinho e Neymar, sem esquecer a Marta
do feminino e Falcão do futsal, todos eles enobrecem, não só a protagonista
bola, mas também a fantástica história desportiva. O vertiginoso crescimento
dos esportes que se utilizam da bola para suas espetaculares competições,
marcando seus preciosos pontos em busca das empolgantes vitórias, só tende a
crescer no mundo inteiro, tanto que hoje chamar a bola de pelota ou bexiga,
está em desuso, mas parecendo um escárnio brega, o que está em moda é enaltecer
a bola de ouro ou bola de prata, em todos os rincões e recantos. É atrás dela
que bailam os artistas, nos espetáculos esportivos, é no encalço dela que todos
aspiram fumegantes desejos, pelo sucesso na posse pela suprema vedete, que não
lhes perdem de vista, em todos os seus giros acrobáticos.
Sem qualquer exagero, diríamos que a bola é tão
desejada pelos atletas o quanto a fêmea do galo da mata amazônica é preferida
pelos seus machos galanteadores, na época do cioso acasalamento. Para quem não
a conhece, em plena selva, todos os machos da espécie buscam conquistá-la, a uma
só galega e depois de muitos galanteios um só conquista a tão pretendida fêmea
e fogem em disparada aos assédios, assim também é a bola. O mais impressionante
é que posta nas prateleiras dos mercados ou nas lojas de materiais esportivos,
ela tem seu valor limitado, ali, ela não espelha sua requintada notabilidade.
Seu preço é sempre irrisório, como se fosse um táxi parado sem frete e sem o
devido retorno econômico. Então, tanto a bola como a roda parada não movem
moinhos.
O
Autor é Diretor do Instituto Phoenix de Pesquisa.
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